Eu quis ser extraordinário
E consegui
Ser extraordinariamente triste
Que Deus me perdoe
Se ele existir
Que minha mãe me perdoe
Se ela conseguir
Porque agora eu só consigo ficar deitado
Olhando para o teto
Pedindo para ele desabar
Eu só consigo amar o tabaco
Mas nem ele parece me amar
Meus pulmões estão fortes
Com sorte não vai durar
Muito tempo
Até que eu tenha câncer
E morra
Infeliz,
Extraordinariamente.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Até agora
20 anos
A plenitude da juventude
O pior ano da minha vida
Até agora.
Eu quis me reiventar
Acabei me perdendo
E destruí
Pra construir
Me tornei niilista
Provisoriamente
Pra tentar achar um novo sentido
Mas fiquei preso
Estou preso na crise de meia-idade
Não adianta fingir que teve um lado bom
Foi tudo
Uma completa bosta
Não tenho a pureza da bailarina
Ou a vontade da prostituta
Aos 20 anos
O pior ano da minha vida
Até agora.
A plenitude da juventude
O pior ano da minha vida
Até agora.
Eu quis me reiventar
Acabei me perdendo
E destruí
Pra construir
Me tornei niilista
Provisoriamente
Pra tentar achar um novo sentido
Mas fiquei preso
Estou preso na crise de meia-idade
Não adianta fingir que teve um lado bom
Foi tudo
Uma completa bosta
Não tenho a pureza da bailarina
Ou a vontade da prostituta
Aos 20 anos
O pior ano da minha vida
Até agora.
Remorso
Um dia eu me excedi
E fui consumido pelo remorso
Então eu dormi bastante
Mas acordei meio impotente
Sendo consumido pelo remorso
Foi então que eu voltei a dormir
E dormi o suficiente
Acordei no meio da noite e fui caminhar
No fim de semana que nunca terminava
Nas férias que nunca chegavam
Eu dormi, cansado
Consumido pelo remorso
Me achei jogado, numa lata de lixo
Lugar mais que merecido
Para quem foi consumido
Pelo passado. Pelo remorso,
de ter feito tudo errado.
Afinal de contas,
eu sou um cara ruim?
E fui consumido pelo remorso
Então eu dormi bastante
Mas acordei meio impotente
Sendo consumido pelo remorso
Foi então que eu voltei a dormir
E dormi o suficiente
Acordei no meio da noite e fui caminhar
No fim de semana que nunca terminava
Nas férias que nunca chegavam
Eu dormi, cansado
Consumido pelo remorso
Me achei jogado, numa lata de lixo
Lugar mais que merecido
Para quem foi consumido
Pelo passado. Pelo remorso,
de ter feito tudo errado.
Afinal de contas,
eu sou um cara ruim?
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Que eu fiz comigo?
Quebrando a cabeça para afastar os instintos
Usando a cabeça para ficar de bem comigo
O mundo inteiro vira de ponta a cabeça
E o quebra-cabeças continua sem ser resolvido
Que merda eu fiz comigo?
Que merda eu fiz comigo?
Usando cocaína como antidepressivo
E brigando com meus melhores amigos por abrigo
Invejando os meus piores inimigos
Os mais dilacerados, os mais fudidos
Não estão nem perto de onde eu cheguei
Que merda eu fiz comigo?
Que merda eu fiz comigo?
Sou uma lenda do rock morta, antes de ter nascido
Sou o nobel da paz que fuzila inocentens palestinos
Sou demais eu mesmo para escolher outro caminho
Sou o poeta em busca da palavra certa
Que dê sentido às feridas abertas, por puro egoísmo
Que merda eu fiz comigo?
Que merda eu fiz comigo?
Usando a cabeça para ficar de bem comigo
O mundo inteiro vira de ponta a cabeça
E o quebra-cabeças continua sem ser resolvido
Que merda eu fiz comigo?
Que merda eu fiz comigo?
Usando cocaína como antidepressivo
E brigando com meus melhores amigos por abrigo
Invejando os meus piores inimigos
Os mais dilacerados, os mais fudidos
Não estão nem perto de onde eu cheguei
Que merda eu fiz comigo?
Que merda eu fiz comigo?
Sou uma lenda do rock morta, antes de ter nascido
Sou o nobel da paz que fuzila inocentens palestinos
Sou demais eu mesmo para escolher outro caminho
Sou o poeta em busca da palavra certa
Que dê sentido às feridas abertas, por puro egoísmo
Que merda eu fiz comigo?
Que merda eu fiz comigo?
Língua solta
Queimei todos os caminhos que levavam a Roma
E me pus a vagar ermo e cansado
Desfrutando da miscelânea em que se transformou
A última flor pura do Lácio
Cheia de metáforas e gírias
Que a tornam tão vulgar quanto atraente
Conserva ainda para si, entretanto
Os segredos da comunicação com os antigos mestres
Os bastardos indecentes que souberam externar
Por palavras incoerentes, as mais coesas proesas
Cada língua é uma babel por si só
Uma meretriz inconfidente das dores dos homens
E você tem que extraí-la, você tem que subjulgá-la
Sobretudo amá-la, como uma prostituta que não teve escolha
A empatia com as palavras te colocará no limbo
Do pensamento extravagante
A loucura baterá à porta e você, ofegante
Não fará questão nenhuma de rechaça-la
Lhe pagará um drink, e então há de amordaçá-la
Guardando-na no bolso e estuprando-a na solidão
Tudo isso em palavras, versos, hieróglifos
O amor é a base de todo o ódio
E as sílabas, profetizas renegadas
Medusas atuais da humanidade
Vão se sobrepor ao seu senso de bondade
E por fim vão se pronunciar:
Não há sentido em nada, a não ser na linhas
E letras que formam de uma imagem borrada
A um reflexo perfeito do que você abriga no peito
O português já não existe. Soltaram a língua.
Ela morreu de desgaste.
Bem vindo ao século XXI, fume, beba, cheire
O som angelical do arpejo costumaz que têm
A seminal e eloquente descoberta de um novo sentimento
Tudo é amor. Tudo é palavra.
Nada é amor. A palavra está morta.
E me pus a vagar ermo e cansado
Desfrutando da miscelânea em que se transformou
A última flor pura do Lácio
Cheia de metáforas e gírias
Que a tornam tão vulgar quanto atraente
Conserva ainda para si, entretanto
Os segredos da comunicação com os antigos mestres
Os bastardos indecentes que souberam externar
Por palavras incoerentes, as mais coesas proesas
Cada língua é uma babel por si só
Uma meretriz inconfidente das dores dos homens
E você tem que extraí-la, você tem que subjulgá-la
Sobretudo amá-la, como uma prostituta que não teve escolha
A empatia com as palavras te colocará no limbo
Do pensamento extravagante
A loucura baterá à porta e você, ofegante
Não fará questão nenhuma de rechaça-la
Lhe pagará um drink, e então há de amordaçá-la
Guardando-na no bolso e estuprando-a na solidão
Tudo isso em palavras, versos, hieróglifos
O amor é a base de todo o ódio
E as sílabas, profetizas renegadas
Medusas atuais da humanidade
Vão se sobrepor ao seu senso de bondade
E por fim vão se pronunciar:
Não há sentido em nada, a não ser na linhas
E letras que formam de uma imagem borrada
A um reflexo perfeito do que você abriga no peito
O português já não existe. Soltaram a língua.
Ela morreu de desgaste.
Bem vindo ao século XXI, fume, beba, cheire
O som angelical do arpejo costumaz que têm
A seminal e eloquente descoberta de um novo sentimento
Tudo é amor. Tudo é palavra.
Nada é amor. A palavra está morta.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Vai dar tudo errado
Desculpe não poder te dar atenção
Estou meio ocupado, tentando te conquistar
E pra variar, inflando o meu ego de sensações
Das quais eu possa me lembrar
Quando começar a descer pra valer
Eu vou mudar, vou te esquecer
Vou construir um clone que não se pareça com você
Pelo simples fato de me amar
E vai me amar até quando eu morrer
E vai segurar minha mão e me lembrar
Que eu ainda amo você
O tempo é relativo, isso é tão clichê
Mas na verdade o que você não disse
É o que eu preciso esquecer
Eu encarei tanto tempo o abismo
Que ele me encarou de volta
Bem como Nietzsche previu
Mas pra mim foi como se fosse
A invenção da roda
Roda-viva, porta voz ativa da minha decadência
Exuberante, cheia de vida
Exibindo as feridas de uma vida errante
Vai dar tudo errado
Vai dar tudo errado
Eu estou tão ferrado que só o que me sobrou
Foi aquela semana do passado
Cheia de lírios brancos
Tempestade e ímpeto
Cd's de folk antigo e poesias sem talento
Vai dar tudo errado
Vai dar tudo errado
De novo e de novo e de novo
Amanhã é dia de viver o passado.
Estou meio ocupado, tentando te conquistar
E pra variar, inflando o meu ego de sensações
Das quais eu possa me lembrar
Quando começar a descer pra valer
Eu vou mudar, vou te esquecer
Vou construir um clone que não se pareça com você
Pelo simples fato de me amar
E vai me amar até quando eu morrer
E vai segurar minha mão e me lembrar
Que eu ainda amo você
O tempo é relativo, isso é tão clichê
Mas na verdade o que você não disse
É o que eu preciso esquecer
Eu encarei tanto tempo o abismo
Que ele me encarou de volta
Bem como Nietzsche previu
Mas pra mim foi como se fosse
A invenção da roda
Roda-viva, porta voz ativa da minha decadência
Exuberante, cheia de vida
Exibindo as feridas de uma vida errante
Vai dar tudo errado
Vai dar tudo errado
Eu estou tão ferrado que só o que me sobrou
Foi aquela semana do passado
Cheia de lírios brancos
Tempestade e ímpeto
Cd's de folk antigo e poesias sem talento
Vai dar tudo errado
Vai dar tudo errado
De novo e de novo e de novo
Amanhã é dia de viver o passado.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Mentiras
A verdade é questão de ponto de vista
Mas existem mentiras absolutas
Ditas de forma deslavada ou de cara limpa
Por omissão ou por uma simples conduta
E contra essa praga que nos assola
O melhor remédio é abraçar o conhecimento
Fazendo dele um instrumento
Contra as coisas que nos devoram
Mas não podemos fazer dele um monumento
Mantendo sempre a cabeça aberta a novas idéias
Amenizando um pouco o pesar e o desalento
Abdiquemos do que dizem que nos fará feliz
E sejamos heróis das nossas próprias epopéias
Pois o melhor mentiroso, é o que acredita no que diz
Mas existem mentiras absolutas
Ditas de forma deslavada ou de cara limpa
Por omissão ou por uma simples conduta
E contra essa praga que nos assola
O melhor remédio é abraçar o conhecimento
Fazendo dele um instrumento
Contra as coisas que nos devoram
Mas não podemos fazer dele um monumento
Mantendo sempre a cabeça aberta a novas idéias
Amenizando um pouco o pesar e o desalento
Abdiquemos do que dizem que nos fará feliz
E sejamos heróis das nossas próprias epopéias
Pois o melhor mentiroso, é o que acredita no que diz
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