Nunca fui uma criança normal,
Mas tinha coisas normais de criança
Como desejar a independência
Que eu conquistei, sem fazer muito esforço
Nesse momento eu não sou mais que um jovem adulto normal
Melancólico, independente, solitário
Com prisão de ventre
Resultado dos medicamentos que agora controlam minha mente
E me mantém no caminho certo, dos adultos normais
Na estrada para o inevitável
Nem o cheiro da bosta me comove mais
A bosta que sou eu, acima de tudo
Escorre pela descarga, junto com os meus sonhos
Se misturando pelo ralo a baixo
Com a bosta dos outros adultos sem sonhos
Que estão mortos por dentro
Mas nem o cheiro dos mortos me incomoda
Porque eu sou independente
Como eu sonhava em ser quando era criança
E descobri que as crianças não sabem sonhar
As crianças só servem para ser sonhos.
Levanto do vaso e dou descarga
Mais uma crise de prisão de ventre
Dessa vez, desceram apenas meus sonhos
Solitários, como eu
Nem a bosta estava mais lá.
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