O garoto perfeitamente amado
Aprendeu junto ao garoto adulto,
Saudosista da infância que nunca teve,
A ver um mundo pálido
por detrás da fumaça dos seus pequenos charutos
Embalados em maços de 20 unidades
Caminhavam pra casa derrotados
Fundidos num corpo de quatro braços
Bêbados, humilhados
Chorando lágrimas salgadas
E com o gosto amargo na boca
Da sola dos sapatos das outras pessoas
Um deles caiu, o outro seguiu,
Sem sair do lugar
Entrelaçados num abraço
que nasceu depois de cinco anos de dores de parto
Se entreolharam e pensaram juntos:
"Os outros que se danem
Vamos fazer poesia".
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